
"Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram rápido, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.
Há amores não realizados e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho..."
Sou obrigado a discordar do final, pois se teve algo que sobrou, foi a certeza de que o desfecho é certo e imultável. Desfecho do que nunca iniciou por pura falta de coragem, ou de oportunidade, ou de certezas; a falta de uma chuva que não caiu mais, uma chuva estranha que me enxarcou na volta pra casa, depois daquele primeiro dia em que um mais um foi igual dois, em meio às ruas cheias de lama, sentados em bancos, na chuva, mas sem se molhar, imperveáveis não, protegidos, por tetos e janelas móveis, um trêm ou um ônibus, uma nave espacial, sei lá, algo que nos faz viajar, eu viajei em duplo sentido, para algum lugar onde sobra e falta tudo, desproporcionalmente, mais falta do que sobra, e o que sobra é apenas a falta, sobra eu sozinho também, mas só um pouco, e que ninguém saiba disso.
"Guarde esse recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo."
"Guarde esse recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo."