Guarde isso: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo. C.F.A

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

...por isso, moço, eu procuro sempre tirar do bolso da camisa um brilho intenso para pôr nos olhos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A vida e um pouco mais

É bom agradecer. Hoje quando me olho vejo tantas histórias, e cada uma delas cosegue ser tão linda que a única coisa que me cabe é aceitá-las de coração aberto. Não fosse eu escutar uma música e lembrar na sensação que ela me causou quatro anos atrás, quando uma amizade forte começara a existir, eu não saberia o quanto as lembranças são satisfatórias. Não preciso de tanto, ao mesmo tempo que um pouco possa ser muito, preciso do básico, e eu quase tenho... falta pouquinho... Eu tenho uma história, uma grande, engraçada, aventureira, comum em uma existência feliz e sadia história, que entra no pulmão toda vez que respiro, que sai no meu suor e me faz sentir uma coisa concreta pela vida, pela minha vida particularmente, porque ela me surpreende com emoções, ela me oferta o que há de melhor, às vezes uma decepçãozinha, uma dor chata, mas faz parte, é assim mesmo, eu sinto pela vida, pela minha vida, aquilo que eu sei que ela sente por mim, e de sobra: Amor, o abstrato mais concreto que me motiva a ser o que sou. Quando se ama algo, alguma coisa, alguém, ou só a vida inteira, adradecer torna-se muito bom: Obrigado!

domingo, 4 de setembro de 2011

Acho lindo ouvir histórias de amores que venceram décadas até que se consolidassem, amores que enfrentaram a distância, o esquecimento, amores que se depararam com outros amores, e os outros não foram suficientemente fortes para substituí-lo, amores que tudo suportaram e em tudo acreditaram, amores verbos que de tão presentes viraram substantivos, amores de verdade que são capazes de jamais morrer com o tempo, que ignoraram toda e qualquer decepção, falta ou fúria, e embora eu ache lindo, dispenso, porque não pretendo passar o resto dos meus dias até a terceira idade sentindo e sofrendo por algo que insiste em não passar, é peso demais para poucas forças, e eu não quero ter que precisar de pernas, além de um coração, pra poder suportar tanto.

sábado, 20 de agosto de 2011

Sim, eu gosto

Parece que não há cura. Os dias vão passando, e com eles mais erros, muitos erros, muitas coisas mal pensadas, enfim, coisas destrutivas que maqueiam as marcas e dão a sensação de que está tudo bem, mas basta uma chuva, uma simples gotinha de água, talvez uma lágrima para que todo o disfarce desmanche, toda a pseudo-cura escorra e venha à tona o fato de que só sobraram os erros junto de uma grande parcela de feridas expostas, e essa grande falta de arrependimento. Não há culpa quando o sofrimento causado não supera o sofrido, assim como não há dor que supere a de um coração que foi aberto para ser invadido calmamente e, de súbito, largado com agressividade, deixado pra trás com rastros de vasos rompidos e musculos dilascerados Há de chegar o dia em que tudo tem que cicatrizar, dia esse que não consta como data magna no calendário e que se afasta a medida em que, diariamente, encontro com o meu passado cada vez mais atraente e charmoso em alguma parte do caminho, porque a cada reencontro o coração faz questão de se machucar por si, deixando a ferida em carne viva, fazendo a dor lembrar o quanto foi bom se doar inteirmante e o quanto isso pode ser ruim. Um dia, quem sabe, poderei ter a oportunidade de ainda ouvir novamente o soprar do "eu gosto, você gosta?"

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Jura secreta

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que eu quero me suprime
De que por não saber 'Inda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nova rotina

Embora, aparentemente, eu tenha conseguido tudo o que mais lutei para ter, ainda sinto que falta alguma coisa irrelevantemente importante para que, a partir de agora, a minha vida não se resuma a apenas cálculos e aferição de meniscos. Algo que faça as músicas que ouço enquanto viajo todas as manhãs ganharem mais sentido, no bom sentido, exatamente como acontece quando as coisas dão certo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O pessimismo ganhou trono

Aprendi com a vida que duas palavras específicas tendem a corroer-se em uma espécie de desvalorização, essas são "sempre" e "nunca". Vivenciei situações em que o "nunca", antes declarado, tornou-se tão possível e tão presente que acabou entrando na classificação das coisas que mereciam ser vividas para sempre, mas o "sempre" está tão ligado ao nunca que conseguiu provar não ser possível ou palpável, porque nada é para sempre, ou seja, o para sempre nunca acontece e o nunca tende a sempre acontecer. Que complexo, droga. Me acostumei a nunca mais dizer sempre e sempre dizer nunca, talvez porque me privo e acredito demais em "nuncas" e me cansei de lutar para permanecer com a mesma coisa para todo o "sempre". O que é para sempre um dia vai me cansar, mas nunca vai ser esquecido e o que nunca vai acontecer me excita a querer vivenciar a situação, mesmo que por simulação de como tudo seria se acontecesse. Eu sou assim, paranóico, tanto é que não consigo escrever paranóico sem o acento agudo por medo de que alguém me corrija, mesmo sabendo que o agudo desapareceu do "oi"; toda vez que algo bom me acontece começo a pensar em como vai ser quando começar a dar errado, talvez por acreditar mais no "nunca algo é para sempre, tudo um dia vai acabar", aí eu agilizo o processo e faço acabar precocemente. Droga de novo. Não sei o que se passa na minha cabeça, tendo a fazer os nuncas serem possíveis, eu procuro uma pontinha de linha por aí e vou tecendo o improvável, fazendo o bem virar mal, o amor virar ódio, a admiração virar desprezo, eu já disse que nunca magoaria alguém antes, então. Droga, três vezes. Me confundo tanto com tudo, sou tão bom em ser desastrado, em procurar motivos, que não sei mais o que eu quero, só sei o que não quero, e eu não quero mais o que um dia eu tanto disse que ia querer pelo resto da minha vida (sempre), o que prometi nunca esquecer, o que me comprometi a sempre renovar, não quero mais sentir algo forte por quem quer que seja e me iludir com contos de felizes para sempre, pois quando acabar todo o bem ofertado vira um mal indesejado, vou aprender a viver no "tanto faz", ou melhor, eu já aprendi.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Passou


Ele descobriu que não sabia mais o que queria da vida, não sabia mais de nada, só vivia e deixava fluir. Às vezes segurava um livro nas mãos para permitir que o tempo passasse sem ser notado, fechava os olhos para fingir cegueira e assim deixar de ver tudo o que ele desejava passar à sua frente, em direção a um mundo onde ele não tinha licença para entrar. Tudo passava, a alegria passava, a dor passava, e então a companhia, as gargalhadas, as amizades, a vontade, tudo. Quanta coisa passava, e ele também foi passando, caminhando, de olhos cerrados, com o livro nas mãos, com medo. As ruas iam ficando para trás, no peito um arrependimento chato o fazia ter vontade de ficar, de não passar também, de esperar, vai que as coisas apenas dão voltas, vai que depois de algum tempo elas possam chegar ao ponto inicial, e se ele não estiver lá esperando? Mesmo assim ele seguiu, porque entendeu que por mais que as coisas voltem, um dia elas partiram, e o que é pra ser de verdade nunca se vai.

domingo, 26 de junho de 2011

Eita, gota.

Beleza que existem clássicos do cinema e que esses quebram, em teores conservadoristas, a magia que veio junto com toda a tecnologia atual. Fazer cinema tem se tornado cada vez mais fácil ao ponto em que se torna cada vez mais difícil, mais fácil no lado técnico, mais difícil se considerarmos o imenso esforço de um cineasta em conseguir agradar um público cada vez mais exigente. Entedam: hoje dispomos de uma tecnologia que reduz o tempo de uma produção, aperfeiçoa traços técnicos visuais e faz o impossível ser visível, tocável e em 3D, porém, na pedra lascada cinematográfica as "dificuldades", conhecidas como falta de recursos profissas de tecnologia, faziam tudo ser mais complicadinho, cheio de probleminhas e valorizados, pois, em análise, deixavam tudo mais, digamos, "teatral" (comparando o grande nível de improvisos nos efeitos especiais). Hoje, depois de ver Rambo (1,2,3 e 4) pude notar o quanto as coisas mudaram, primeiro em critérios de criatividade; a personagem em questão adquire recursos da linha MacGyver de facilidade, junto com o treinamento na "Escola Chukc Norris de artes maciais que te tornam invencível" e prova que o diabo sabe usar uma faca e com ela reproduzir as funções de todos os eletrodomésticos da minha casa. Sem mencionar que em Rambo 1, o Silvester Stalone decorou, no máximo, um verso de cordel para recitar em tom neurótico durante um filme de mais de 1h30min; no mais ele atira com uma metralhadora de life infinito, mata, joga a faca (que sempre sai não sei de que buraco, ele deve ter umas trinta da mesma no bolso) e exala testosterona pelos poros. Aí eu me pergunto, "porque Deus, porque eu gosto tanto desse filme?".
Não é por nada, mas criei um gosto refinado para cinema (huuuummmm), esse gosto envolve bons diálogos, efeitos especiais de verdade ou nenhum, trilha sonora, fotografia e etc, não importanto a época, pois sei diferenciar o que há de melhor hoje ou na década do lançamento de Tempos Modernos, mas nada supera um filme que sabe como te tocar lá dentro, como Rambo, que é simples, resumido, me deixou à beira de um ataque epilético e com vontade de esquartejar meu irmão, a mensagem foi passada e eu a entendi, tudo bem que ficar mais violento e desejar que ele degole os Russos não é algo legal de se sentir, muito menos para pessoas que não caem nesse discurso de coitadinho que os Norte Americanos lançaram em contrapartida aos Vietnamitas na primeira edição do filme, em momento algum senti que o ataque de pelanca do Rambo para justificar seu patriotismo e as mortes na guerra fosse plausível. Não colou. Mas que o filme envolve não podemos negar, porque envolve. Desculpa Vin Diesel, mas você ainda tem muito chão para poder superar esse passado grandiosos de filmes de machos de verdade.

Preciso de uma faca dessas.

domingo, 12 de junho de 2011

Fase?

Me sinto solitário, não quando estou acompanhado, me sinto solitário quando estou sozinho. Eu sei que essa é a lógica, mas comigo tem sido diferente. Antes estar sozinho era divertido, eu estava carnalmente sozinho, mas por dentro eu não estava, eu era feliz e me divertia, hoje estar sozinho faz parte de uma tortura constante, é como se eu não bastasse para mim mesmo. Antes eu era feliz e sabia, sim eu sabia e sempre dizia que considerava felicidade o meu estado de espírito vinte e quatro horas por dia, trezentos e sessenta e cinco dias por ano durante dezessete anos ininterruptos. Essa não é uma daquelas manias humanas de idealizar o passado, porque mesmo naquele presente eu entendia que era feliz. Hoje sou parcialmente e com sinceridade. Sou feliz com minha família, com meus amigos, com os grupos que participo, com os outros, não comigo, não mais. Por isso estou solitário, quem irá se aproximar de alguém que não consegue trazer a felicidade para si? Ninguém é tão idiota. Essa pode ser uma fase, uma das muitas, pelas quais terei que passar até achar o pote de ouro no fim do caminho; tem sido massacrante, decepcionante, tem me magoado. A culpa é minha, o problema é comigo, eu que estou fazendo algo errado, eu sei, mas o quê?
Se sentir solitário é ter sempre o mesmo filme preferido como companhia, é querer e ter para quem ligar e evitar por saber que pode ser ruim, é não conseguir ler um livro por sempre interrompê-lo com a própria história mil e uma vezes repetidas, é conversar com setenta pessoas e ver essas setenta pessoas evaporarem meia hora depois, é não encontrar apoio no próprio pensamento, nem espaço. Me sinto sem espaço.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Saudade do futuro

Eu digo que saudade não tem definição. Se saudade fosse apenas o que faz falta, que incompleta, mas não, vai tudo muito mais além, infinitamente além; saudade é aquilo que não sabe se quer doer ou se quer acarinhar. A saudade não se decide, ela resolveu só existir, sem propósito , rumo, eira, beira e estribeira. Às vezes ela é chata, aparece do nada, contestando e contrariando a si mesma, e então ela própria se explica, se dedilha, se soletra. Ela ensina que saudade boa existe do tempo passado, saudade ruim existe do tempo futuro, como se a possibilidade de sentir saudade do futuro fosse válida. Pior que é. Eu sinto. Você com certeza também deve sentir muita saudade de um tempo que jamais veio, essa é a penalidade para aqueles que imaginam demais, que montam, remontam e enfeitam o dia de amanhã. Hoje aos 19 anos, eu digo que sinto muita falta dos meus 30 anos que planejei quando ainda tinha 18, e como tudo muda, nem sei mais se chego aos 25, mas espero. Saudade é melancolia, com ela percebo que o tempo passou, saudade é sinônimo de tempo, saudade é tempo e vice-controvérsia. Ah! Saudade, como é fundamental, nem aqueles que tem tudo o que querem se privam de sentir-te, amar-te e odiar-te, mas eu prefiro te sentir tendo o que eu quero, assim só sentirei saudade do passado, quando eu aproveitava tudo o que tive e jamais do futuro quando peno pelo que antecipadamente deixei de ter.

"Espero que o mundo mude, e que a situação melhore, mas o que eu mais quero é que você entenda, quando digo que ainda que eu não te conheça, apesar de talvez jamais encontrar você, rir com você, chorar com você ou beijar você, eu te amo de todo coração. Eu te amo."

V de Vingança

domingo, 22 de maio de 2011

Um arte que é só minha

Eu sou um artista. Não um artista qualquer, eu sou o mestre dos artistas, e não pense que é de qualquer arte, não, é de uma arte que não tem beleza: a arte de ser rejeitado.
Olha, isso não é para qualquer um, é necessário muita competência, é preciso saber mostrar às pessoas que tudo o que você mais deseja é proximidade, é essencial correr atrás delas, fazer questão de sua companhia, mandar inúmeras mensagens de afeto e nelas dizer o quanto você adoraria que vocês estivessem juntos, é obrigatório sempre cumprimentá-las, sorrir para elas, mostrar que você se importa até o fundo da alma e depois de preparar todo esse ritual de humilhação você estará pronto para a melhor das rejeições, não espere receber mais que um "oi" sem vontade ou uma falta de olhar para que você perceba o tamanho da sua insignificância. Telefonema? O que é isso? E sms, você não esperou, esperou? Ah, que pena, a espera será em vão, sempre. Para falar a verdade, aceite que você não existe para determinados alguéns, se existir é apenas como "mais um na multidão", aquele "mais um" a quem não damos bom dia, nem lembramos que existe, que vimos em alguma ocasião, no sinal fechado talvez. Aceite. O segredo desse tipo diferente de artista é a aceitação, deve-se olhar para si e repetir inúmeras vezes: eu não valho a pena, não fazem questão de falar comigo, eu sou um "tanto faz". Agora responda, você inveja meus dotes artísticos? Duvido.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Rapidinhas #15

Se todas as profecias fossem verdadeiras eu teria muita sorte no jogo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ela usa meias

Era domingo, meu coração sentia uma imensa necessidade de doçura, resolvi visitá-la, seu sorriso sempre emocionado no momento do reencontro desfaz todo o mal-estar do mundo, me deparei com ela e com aqueles pezinhos meigos assim que a porta se abriu para me receber, que pés fofos, proporcionais, aconchegantes, pois saibam todos que seus pés estavam vestidos por um bonito par de meias brancas. Que ser humando usa meias para passar o dia de domingo em casa no calor doentio do sertão? Ela... Ela usa. Não pude deixar de comentar e rir, ela também, rimos juntos. Toda a sua delicadeza se evidencia a cada novo reencontro nesses nossos quatro anos da mais sincera amizade, seja no seu diário todo decorado e preenchido com trechos de tudo o que acontece, inclusive comigo, seja na maneira meiga como ela chama meu nome e diz estar com saudades ou tenta me agredir sem muito sucesso, tapas na cara com pétalas de rosa define o efeito dos seus reclames. Conheço profundamente seus espinhos e quantas tempestades eles podem controlar, mas não comigo, que posso vê-la de meias num domingo à tarde. Seus cabelos castanhos contrastam com sua pele clarinha e dão uma ideia cinematográfica da mulher perfeita em graça e beleza, seus olhos sorriem sozinhos, fecham até o final, sua sensualidade não deixa se esconder por sua doçura e seus pés tem meias, eles sentem frio e temem a agressividade da exposição total, seu sotaque já não tem mais identidade, misturou-se, agora é único, é dela. Aquela menina me encanta, mais que isso, ela me conforta, me faz lembrar dos tempos em que ser meigo também fazia parte de mim, ela é especialmente completa e sabe fazer arroz, talvez miojo também, só que mais importante que isso: ela sabe dar carinho.
A considero a fada Amazona de um Jardim no Jardim Amazonas, embora ela não goste muito da localidade, aquele bairro faz a analogia perfeita ao seu ser. Ela é diferente, um pouco muito careta, quase perfeita, uma linda mulher que usa meias na tarde de domingo, o meu encanto só se quebrou por um instante; as meias foram interessantes, mas meia e chinelo destroem qualquer relação, espero que depois da minha bronca ela aprenda a não quebrar encantos nunca mais.

Para: Gabriela Moraes, com E.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Encontros e despedidas

Desencontros, a vida tem dessas coisas. De que adianta uma imensidão de porques, se encontrar a resposta não é fácil? Por que eu deixei de ir? De fazer? De falar? Por que isso aconteceu comigo? Não, não pergunte, apenas viva, siga como se um não fosse um pedido honesto para que você continue, o caminho é longo meu caro, guarde os questionários para depois, guarde-os para coisas especiais e boas, para ocasiões infinitamente felizes, pergunte porque você está sorrindo com mais gosto, porque tudo parece estar no lugar, porque tudo está dando certo, pare de querer questionar apenas o ruim, pare de achar que você não merece, porque você merece talvez até o dobro, mas infelizmente sua hora não chegou, deixe o outro passar a sua frente mais uma vez, isso é bom e generoso, isso mostra que você é paciente e suporta as diversas perdas de tudo, e mais, é no momento em que estamos mais perdidos de nós e do outro que o verdadeiro encontro faz a diferença.

Sabe o paradoxo da espera do ônibus? Então... é daquele jeito: quanto mais a gente espera menos teremos que esperar.

Eu já me encontrei muito, meu eu está sempre se topando comigo nos melhores momentos, a cada hora eu sei mais de mim, quem sou, o que quero, aprendi tudo direitinho, agora preciso de mais competência para encontrar outros "eus" que não façam apologia a eu mesmo, falo de encontrar o seu eu, o eu de alguém que não está lendo isso, o eu que vaga por aí, o eu que significa tu. Quero encontrar, preferencialmente, o meu reflexo, que interpretado de maneira correta é o meu inverso, sou eu do avesso, sou eu canhoto. Se existiram desencontros? Inúmeros, eu diria. Um dia a vida acerta e me fará sair de casa na hora certa, me dará um rumo, e pela demora, o que vier será em boa hora e fará toda a diferença.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Humano, demasiado humano

Eu me odeio. Eu me odeio com toda a força que eu tenho. Longe de qualquer contradição eu me odeio por me amar, por sempre achar que estou certo, que não cometi um erro, ou vários deles, me odeio por deixar as coisas passarem por mim, por não ter coragem de correr atrás do ônibus quando estou há apenas 10 metros dele, me odeio por não estar nem aí porque "esse sou eu", "esse é o meu jeito", cansei de usar essas justificativas também.

Cansei de ter que mostrar meu lado idealizado para instigar nas pessoas o desejo de me conhecer de verdade, eu não sou os filmes que vejo, muito bons por sinal, não sou as músicas que escuto, não sou os objetos legais que estão no meu quarto, não sou a minha coleção disso ou daquilo, não queria me preocupar em me esforçar para que gostem de mim, mas fiz isso, acabei esquecendo que aqueles que realmente gostam de mim não precisaram desses artifícios inúteis, eles me conheceram e depois conheceram o que me preenche, na simplicidade fiz os melhores e maiores amigos da minha vida.

Não te julgo se me achares forçado, eu posso ter sido em algum momento, não te julgo por achar que eu falo demais, eu sempre falo demais em todos os momentos; tudo na tentativa de mostrar o máximo de coisas possíveis em tempo recorde, mas de que adianta se a essência está sendo suprimida? Não faz sentido.

Sim, eu fui forçado por muito tempo, por quase um ano, fiz isso tão bem que até eu me convenci de que eu não teria do que pedir perdão, acretidei que tudo tinha passado, que tudo estava ótimo, eu forcei serenidade, forcei sorrisos, momentos, agressividade, eu fui uma farsa, e é assim que alguns me conhecem, como posso pedir que agora vejam o meu lado que realmente importa?

Sou uma boa pessoa, eu sei, e quero que isso seja o necessário a partir de agora. Vou tentar viver das consequencias disso, como antigamente, quando um sorriso e um bom dia eram suficientes, quero me culpar mais para ver que eu posso sim estar errado, que eu dei motivos ou que os deixei de dar, quero me perdoar por minhas falhas porque fui humano o suficiente para reconhecê-las, quero que você me compreenda, me entenda, me aceite.